Free sleeping at the dojo from Friday. Bring your own sleeping bag.
Hitohiro Saito Sensei 2009 Seminar
Sunday, 11 January 2009 18:45
administrator
Hitohiro Saito Shihan for the first time in Torres Vedras.
Details very soon.
Last Updated ( Monday, 09 February 2009 23:10 )
Novo Takemusu Aiki Dojo
Sunday, 28 December 2008 19:19
Nuno Inácio
Foi com exames e uma pequena festa com que foi inaugurado pelo Mestre Tristão da Cunha o renovado Takemusu Aikidojo, ainda e sempre nas instalações da A. E. Física D. de Torres Vedras. Como não poderia deixar de ser, a manhã de Sábado, dia 20 de Dezembro, começou com um treino, no qual participaram antigos estudantes deste dojo, bem como alguns convidados de outros dojos, nomeadamente, o Sempai Miguel Serra que trouxe alguns alunos de St.º André e os Sempai Manuel Costa e Nelson Mota que vieram do Ki Musubi Dojo. Estiveram também presentes pais de alunos, bem como o Sr. Yoshi Miyakawa e o seu genro Daniel, grandes amigos pessoais que infelizmente não se sentiram em condições de treinar. Depois do treino e feito o osoji, fizeram-se exames de kyu, onde foram examinados os novos alunos: Rodrigo e André Romão, Henrique Graça e Hugo Oliveira – 8º Kyu; Daniel Valentim e Alexey Popovich – 7º Kyu; Francisco Inácio – 5º Kyu; e José Inácio e João Sarzedas para 4º Kyu. Todos passaram com distinção, com mérito especial para os principiantes e para o João Sarzedas e o José Inácio que demonstraram uma excelente técnica e uma boa preparação para o exame de shodan que, segundo o Mestre Tristão, irão fazer dentro de um ano. Terminados os exames, seguiu-se uma festa convívio, a qual terminou com uma troca de presentes entre os alunos. Passada a excitação dos presentes, terminou a festa com a entrega dos diplomas e dos cintos às crianças. Gostaria de agradecer, desta forma, ao director técnico da APASD, o Mestre Tristão da Cunha, a amabilidade de se ter deslocado ao dojo para presidir a esta singela celebração. Espero que seja o início de uma longa e proveitosa aventura, com muitos alunos, amigos e, acima de tudo, com muito espírito marcial. Não posso deixar de agradecer também à Física, mais concretamente à sua direcção, pelo espaço que nos disponibilizaram, bem como toda a paciência e simpatia com que sempre nos trataram. A todos um Feliz Ano de 2009 e próspero em objectivos alcançados.
Last Updated ( Sunday, 11 January 2009 18:21 )
A Viagem a Iwama
Foi no passado mês de Novembro que tive finalmente a oportunidade de realizar um desejo formulado há mais de dez anos: viajar a Iwama, a cidade berço do Aikido.
Em 1947, Iwama não passava de uma pequena aldeia com poucas dezenas de casas, nos arredores de Tókyo, nessa altura devastada pela Guerra. Um jovem camponês, chamado Morihiro Saito decidiu aventurar-se num pequeno dojo, onde um velho Ansião ensinava uma estranha arte marcial, e pedir-lhe que lhe ensinasse a combater. Anos mais tarde, Morihiro Saito tornar-se-ia num dos melhores Mestres de Aikido, com uma técnica inigualável, quer em taijutsu, quer em bukiwaza (bastão e sabre). Iwama é hoje em dia uma pequena cidade e qual o aikidoca que nunca sonhou visitá-la, e ao dojo onde OSensei e, mais tarde Saito Sensei ensinaram, mesmo em frente ao Aikijinja (tempo do Aiki)?
Depois de muitas oportunidades desperdiçadas, avanços e recuos, desculpas mais ou menos credíveis, lá decidi juntar-me ao Mestre Tristão (uchideshi desde 1986) e à comitiva portuguesa que iria ao Japão celebrar o V Aniversário da “Iwama Shin Shin Aiki Shuren Kai”, agora dirigida por Hitohiro Saito Sensei, filho do grande mestre Morihiro. Com muitos meses de preparação, partimos no dia 17, com um dia de atraso graças à greve de pilotos da Air France. Como um azar nunca vem só, outro “desaire” naquele que seria o nosso primeiro passo no Japão: uma paragem em Tsukuba para comprar armas do famoso Sugiyama Sensei; O Mauro Camões, que viajara pela Lufthansa num voo paralelo, acabou por lá ir com o Gaspar Paulino e Gil Vargas (que chegaram na véspera) e compraram as últimas armas disponíveis, visto que Sensei estaria gravemente doente (já nos seus noventa e muitos anos) e já não trabalharia mais.
Chegados finalmente a Iwama à hora do treino da tarde, depois de uma viagem de Narita Airport com duas escalas e duas horas de duração, só tivemos tempo para mudar de roupa e dirigirmo-nos ao Tanrenkan onde Saito Sensei ensina. Muita gente a treinar em muito pouco espaço disponível, mas muita técnica e muitos graduados. Gostaria de ter uma nota de 1.000 ienes por cada Dan existente naquele dojo, para poder comprar presentes para todos no meu regresso…
Confesso que não achei a vida de uchideshi (aluno interno) muito dura. Talvez devido à preparação que levava de Portugal, da Aikifarm, onde se adopta um sistema semelhante ao japonês (um pouco mais severo até, na minha opinião). Também foi bom rever velhos amigos que só vemos ocasionalmente em seminários internacionais. Foi o caso de Yuya Ishikawa, um jovem uchideshi de longa data que vem a Portugal regularmente desde 2005. Encontrei também o Fernando Delgado do Chile, que já lá estava há algumas semanas e ainda ficaria por lá outras tantas. Akimiasa Watanabe Sensei –da Suíça-, Stefen Kurilla Sensei –da Eslováquia-, o Vitaly– de Vladivostok-, também estavam presentes.
A rotina em Iwama era aquela que já ouvíramos falar: treinar de manhã (não muito cedo por ser Outono e já estar muito frio), trabalho de toban durante o dia e treino ao final da tarde. Permitam-me descrever alguns destes pormenores curiosos deste dia-a-dia.
“Toban” significa literalmente “serviço” ou “aquele que está de serviço”. Eram escalados aos grupos de três por dia e, normalmente por nacionalidades. O toban pegava no seu serviço imediatamente a seguir ao treino da manhã (tinha o previlégio de ir de bicicleta para o treino para poder regressar mais rapidamente), onde tinha de preparar o pequeno-almoço. Após o pequeno-almoço recebia o dinheiro do uchideshi responsável para as compras do dia. Cada uchideshi pagava 360 ienes por dia que teria de ser gerido pelos toban. Preparava o almoço durante a manhã e, durante a tarde, preparava o jantar.
Não sei se foi sorte nossa, ou se os tempos mudaram ou, se realmente “a fome é o melhor tempero”. Só sei é que comi sempre muito bem, quer fossem os russos (principalmente os russos), os australianos ou os portugueses a cozinhar. Nos dias em que não estávamos de toban, havia sempre algo para fazer pelo dojo. Limpeza do perímetro, limpeza do dojo, ou simplesmente Sensei convidava-nos para um passeio. Recordo-me que fomos convidados, logo no nosso segundo dia, para acompanharmos Sensei às quedas de água para fazermos Misogi. Sensei foi o primeiro a fazê-lo e depois, seguiram-no os uchideshi, um a um, excepto este que vos escreve, uma vez que tinha a responsabilidade de filmar. Claro que a água gelada, uma gripe ainda por curar e o estômago cheio de um farto pequeno-almoço não me impediriam de entrar!
No Sábado, dia 22 fomos a Tomobe, uma cidade vizinha, onde se realizou o Embutaikai, cerimónia que comemorou o V Aniversário da IASSK, e onde estiveram presentes vários mestres de outros estilos, tais como, de Yoshinkan, de Katori Shinto Ryu, entre outras. Portugal realizou a sua demonstração de grupo, onde participaram a Carolina Manuel, o Mauro Camões, o Gaspar Paulino e eu. O Gil, como viajou com uma lesão no joelho, não pode demonstrar nem treinar tai jutsu. Participei também como uke do João Chaves, que representava a Espanha. Por sua vez, o João Chaves foi uke na demonstração do Mestre Tristão da Cunha que teve o privilégio de demonstrar sozinho.
Na segunda-feira, dia 24, como era dia de folga, começámos o dia à hora habitual – 5:30 da manhã – mas teríamos o dia livre para fazermos o que quiséssemos, logo a seguir à limpeza semanal. Assim, fizemos o Osoji das 6 às 8 da manhã e acabámos de tomar o pequeno-almoço às 9, hora a que nos metemos no comboio a caminho de Kashima e Katori, para visitarmos os seus lindíssimos templos. Depois de muito caminharmos, ao Sol e à chuva, de muito souvenir comprado, e de andarmos perdidos no comboio, lá chegámos a Iwama à hora do jantar.
No dia seguinte, apesar de ser dia de treinos, pedi uma autorização especial a Sensei para ir a Tókyo, visitar a famosa fábrica de Hakama e Dogi para Aikido. Não tivesse a ajuda de um amigo em Tókyo jamais regressaria a Iwama para a hora do treino da tarde.
Entre estas aventuras, teinos duas vezes por dia, passeios às quedas de água, visitas à campa de Sensei e algumas compras em Iwama, os dez dias passaram muito depressa e, quando menos esperávamos, estávamos a arrumar as malas para voltar para casa. E que malas!!! Entre kamisama, acessórios e prendas que comprei, trazia 15 kg a mais na bagagem, que a Air France não perdoou!!!
Conclusão: entre treinar com o mais prestigiado mestre de Aikido, visitar um dos países mais exóticos, organizados e misteriosos do mundo, conhecer gente muito diferente e rever muitos amigos que partilham um sentimento comum, ficou uma grande saudade e um grande desejo de voltar. Recordo-me da mensagem na porta de embarque no aeroporto de Narita: “Okiotsukete. Iterashiaimase” – “Hope to see you again”. Talvez mais depressa do que em princípio possa esperar.